domingo, 13 de janeiro de 2013
boletim médico
Material: SANGUE
* HORMONIO ESTIMULADOR DA TIREOIDE (TSH) *
Metodo: quimioluminescencia 3a. geracao
* DOSAGEM DO TSH.......: 5,87
Valor de referência:
> 18 anos..: 0,55 a 4,78 uUI/m
Dá pra imaginar meu estado de espírito (e de corpo também), né?
Se não consegue imaginar, então leia e saberá: sintomas do hipotireoidismo ou entrevista com Dr. Marcello Bronstein (sim, é o endócrino famoso que me colocou no HC em SP)
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
I would prefer not to... be.
uma coisa que fica martelando na minha cabeça nesse período "dissertativo" da minha vida é a afirmação barthesiana de que a língua é fascista, porque nos obriga a "dizer". eu "digo" coisas mesmo sem ter dito nada e é isso que nos coloca numa posição inferior a alguma coisa (à língua(gem)? ao poder do discurso? a uma força maior? a sei lá o que...), que nem sabemos, de fato, definir. os supostos diálogos sem palavras que acontecem a todo instante poderiam ser imensos livros filosóficos sobre coisas da vida. infinitas teorias já poderiam ter sido registradas se alguém tivesse a capacidade de reverter o silêncio em palavras e organizá-las em textos, em papeis, em arquivos digitais, ou tabuinhas esculpidas. infelizmente eu não sou uma dessas pessoas e olha que meu silêncio é bem barulhento, dentro da minha mente.
a postergação da escritura, tanto aqui, como academicamente falando, só gera mais e mais escritos perdidos em algum lugar no "mundo dos livros não escritos". leio muito e, na verdade, leio pouco. escrevo muito e, na verdade, escrevo pouco. um dia me disseram que quem sabe que não sabe é um sábio. eu poderia ficar satisfeita com essa afirmação, mas eu não sei nem o que é um sábio, há quem diga que é um elogio, eu acho que é uma maldição. não quero ser amaldiçoada, não quero saber tudo, mas a partir do momento que me deram um mínimo "saber" já me deram uma pontinha da maldição do "querer saber mais" e nunca vou saber o suficiente pra ficar satisfeita. isso é frustrante, mas ao mesmo tempo é uma forma de ter sempre um objetivo. às vezes dá vontade de escrever infinitas confissões sobre pensamentos escondidos em algum lugar, que fazem uma pequena aparição momentânea, mas aí eles somem de novo e a coragem e a convicção que estavam com eles desaparecem junto. não sei bem se é questão de coragem, porque não é algo de que eu tenha medo. só acho que é muito difícil decidir o que se acha digno de ser compartilhado, ou registrado. escrever, pensar, cogitar possibilidades quando se está sozinho é quase como tentar sair de um buraco tentando puxar os próprios cabelos. não leva a lugar algum, a gente permanece no mesmo lugar... e com a cabeça doendo. por outro lado é libertador escrever (ou dizer) quando não se tem receio de ser julgado, um dia eu achei que eu não tinha, mas só achei e agora (me) perdi.
a verdade verdadeira é que é (que é que é que é...) tanta coisa pra se ter opinião, são tantos acontecimentos, tantas discussões, que eu canso, desisto antes mesmo de dizer (escrever, argumentar, fazer) qualquer coisa... parece que de nada vai adiantar ter uma opinião que está bastante consistente na nossa cabeça, mas não tem jeito de entrar na cabeça de outra pessoa. pra que se dar ao trabalho então? pra que querer mudar? pra que agir? se eu posso ficar parada, não mostrar o que eu acho, o que eu penso, o que eu sinto... mas aí não vai acontecer nada. e não acontecer nada não é uma coisa muito emocionante ou satisfatória. não vai piorar, mas também não vai melhorar nada. não vai mudar nada. eu não quero o "nada". em contrapartida, i would prefer no to
eu preferiria não ter distúrbios hormonais, eu preferiria não ter que lidar com burocracia, eu preferiria não ter obrigação de escrever, eu preferiria não pensar na minha aparência física, eu preferiria não ter frustrações, eu preferiria não ter responsabilidades, eu preferiria não ter que explicar minhas decisões, eu preferiria não ter que tomar decisões, eu preferiria não depender de ninguém, eu preferiria não achar que existem injustiças no mundo, eu preferiria não me sentir mal ao ver alguém doente, eu preferiria não ter apenas uma visão ocidental do mundo, eu preferiria não estar insatisfeita com política, religião e a sociedade, eu preferiria não estar cheia de dúvidas, eu preferiria não ser egocêntrica, eu preferiria não... ser. (?)
"eu preferiria não", mas eu sei que eu preciso "sim" fazer infinitas coisas, mesmo preferindo não fazer... talvez eu apenas esteja num momento bartlebyano demais e eu não consiga escrever/dizer o que eu gostaria, mas como a língua(gem) é fascista, ela me obriga a dizer, mesmo que seja qualquer coisa que eu nem queira dizer... por isso eu digo. por isso eu escrevo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
atazagorafobia
Acho que em tempos modernos, em tempos de internet, em tempos efêmeros, o compartilhamento de inúmeras coisas que parecem ser lixo eletrônico, palavras sem fundamento ou qualquer coisa para motivo de risadas é só mais uma maneira das pessoas se manterem visíveis. O medo de se tornar invisível, ou de ser superado é o que move esse vício aparentemente sem propósito. É uma consequência da sobrevivência em rede, da vivência em sociedade, uma sociedade cheia de anseios e individualismos que em uma fração de segundos nos une e nos distancia. A vontade de mudar o mundo é o que move os corações, mas ninguém pensa no que é o mundo. Eu não penso no que é o mundo. Eu luto por um lugar melhor, mas apenas por saber que existe lugar pior. Só não sei o que é lutar.
Em tempos de exposição, em tempos de circulação, em tempos de discussões rasas, em tempos de opiniões formadas sobre tudo, quem não finge que sabe? Todos são donos da verdade, todos são investigadores, detetives de causos inventados. O segredo é: duvidar. O desejo é: conspirar. A realidade é: esperar. O fato é: repetir. O medo é: sumir.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Paradoxo da sapiência, ou, qual a moral da história?
Toda vez (que eu viajava pela estrada... ) que eu me disponho a abrir o arquivo com a minha dissertação eu travo. Então, pra não perder a viagem, dessa vez eu abri a aba de postagem do blog... não que eu tenha qualquer coisa interessante pra falar, ou alguma coisa que valha a pena ser compartilhada nesse momento, mas só pra não perder o hábito da escrita, que, na verdade, não existe.
Ninguém tem hábito de escrita, assim como ninguém tem "hábito de leitura". Quando alguém fala que "o brasileiro precisa adquirir o hábito da leitura", eu fico pensando: "o brasileiro deveria adquirir o hábito de dar seta no trânsito, de jogar lixo no lixeiro, de ser educado com idosos, de parar de reafirmar que pra tudo existe 'o jeitinho brasileiro'... E outra coisa muito importante: parar de afirmar e se identificar com a afirmação que "brasileiro deixa tudo pra cima da hora!".
Eu queria tirar essa coisa que me colocaram na cabeça, porque meu subconsciente assimilou isso de uma forma, que eu não dou conta de tudo que tenho que fazer "em cima da hora". Porque eu nem tenho que fazer nada em cima da hora, mas se tenho tempo pra fazer, não consigo. Já me disseram: "o segredo é a disciplina!", mas se for esse o segredo mesmo, o segredo tá muito bem guardado, porque eu não descobri como me disciplinar.
Depois que meu último exame deu tudo ok, digamos que o Cushing não é mais desculpa pra nada, ou seja, se eu não consigo fazer qualquer coisa, a culpa é minha. Mas, sinceramente? Eu acho que o Cushing nunca foi desculpa pra nada! Até porque se foi, no período que eu descobri até a última cirurgia, eu tive tantas "conquistas" que posso até agradecer ao cushing então... Tá, nada a ver eu citar o Cushing falecido agora, o caso é: eu estou muito bem, obrigada, etc e tal... PORÉM, eu estou sofrendo com outra doença e essa doença já me acompanhava antes e às vezes eu chego a pensar se essa doença não foi o que me deixou com cushing. Lógico que é a maior viagem e parece uma teoria da conspiração, mas às vezes faz sentido (pelo menos pra mim).
A doença que eu me refiro é a "doença acadêmica": a obrigação de estar sempre produzindo, escrevendo, lendo, cumprindo horários na universidade, de pesquisa, de aulas... Tudo isso nos deixa com um nível de estresse tão elevado que acaba desregulando as produções normais de hormônio de qualquer ser humano. Em consequência disso, como o cortisol é hormônio do estresse, meu organismo endoidou e lançou um tumor na minha hipófise pra conseguir produzir tanto cortisol que meu corpo estava pedindo... mas é aquela coisa, tudo quando é demais faz mal, aí deu no que deu.
Um monte de blablabla, mas faz sentido, vem dizer?
Pois então... agora que o cortisol foi embora e eu estou com insuficiência adrenal, meu problema da doença acadêmica tá tomando proporções maiores, acho que meu organismo tá meio idiota e não tá respondendo aos estímulos mentais que eu preciso pra escrever o que deveria...
E daí eu me pergunto: o que eu deveria escrever? *pergunta de um milhão de dólares*
É complicadíssimo achar que deve escrever um zilhão de coisas e achar que também não dá conta de escrever nem uma mísera coisa. Há quem diga que sábio é aquele que tem consciência que não sabe praticamente nada. Paradoxo da sapiência: o sábio que sabe que não sabe. E eu digo: pqp! Se fosse assim eu era uma gênia! Posso colocar isso no meu lattes?
Eu sei que todo mundo passa por dificuldades e todo aquele blablabla de livros de autoajuda que eu sempre escrevo, mas a gente cansa de ficar empacado batendo na mesma tecla, né? Tudo bem que eu já bati em várias teclas aqui, agora, mas não são as teclas certas. Quero minha dissertação do mestrado pronta amanhã sem eu precisar pensar muito nas teclas, só ir digitando, como se fosse a coisa mais normal do mundo, como se eu tivesse o hábito da escrita (que não existe).
A minha crise dessa coisa de "hábito" do sei lá o que é pelo tema da minha dissertação, sim, lógico. Meu tema de pesquisa basicamente é literatura em sala de aula (nos anos iniciais do ensino fundamental). O que eu acho interessante é que TODO MUNDO afirma que ler literatura é muito importante, leitura faz da gente uma pessoa melhor e todo aquele papo que todo mundo que vive no mundo moderno, numa sociedade grafocêntrica, conhece. O caso é: tá, ler literatura é importante, eu também acho, mas eu acho porque eu gosto e se eu não gostasse? Será que eu acharia a mesma coisa? Será que a gente não acha importante certas coisas simplesmente porque a gente não gosta? O que faz a gente não gostar das coisas? *pronto, minha cabeça explodiu agora*
Então... a parte da "moral da história" lá do título... é. O título (provisório, porque na dissertação tudo é provisório até que chegue o dia da impressão final) da minha dissertação é relacionado a isso. Nem sei se eu poderia ficar escrevendo aqui, vai que alguém rouba meu título genial, né? Mas não tem problema, já tá registrado no lattes e no comitê de ética mesmo, se começarem a usar pelo menos o meu é datado! (se ligaram na minha super ameaça disfarçada, né? cof cof) Qual a moral da história? Afinal, história precisa de moral? O que se considera história? Chatice, né? Eu acho o máximo. Pena que justamente o que eu acho o máximo é o que me deixa doida.
A gente vive procurando respostas, criando perguntas, complicando a vida... pesquisas acadêmicas, pra mim, se resumem a isso: inventar problemas pra poder ter uma pesquisa. Não, eu não acho isso uma coisa ruim, pelo contrário, acho que esse é um dos objetivos do ser humano: investigar. Talvez todo mundo tenha um pouquinho de detetive dentro de si, (vulgarmente conhecido como: síndrome de fofoqueiro) mas isso não quer dizer que toda investigação seja relevante... Daí que volto pro lance da moral da história... será que tudo precisa de um sentindo? Talvez eu conclua o mestrado e descubra que tô na área errada... ou talvez não exista essa coisa de certo e errado. Ou talvez esteja tudo errado. AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH...
domingo, 30 de setembro de 2012
You better run, better run faster than my bullet (ou, hard e com emoção)
Mais de um mês desde a última postagem, voltei com boas notícias!
(Não, não estou muito mais calma e organizada e ponderada e nada desse tipo de "ada". Eu disse que eram boas notícias e não notícias impossíveis.)
Então... ontem foi meu aniversário, agora tenho 23 anos. (essa é uma "boa" notícia, mas não é o que eu ia dizer) Bom, eu deveria começar pelo começo, mas estou meio anacrônica. Hoje eu estava pensando no meu "currículo". 23 anos, formada em Letras, mestranda em Educação, um tumor e 3 cirurgias no cérebro, 1 cirurgia pra retirada das adrenais, 1 cirurgia de adenoide, nenhum osso quebrado, cabelos loiros, cabelos ruivos, cabelos pretos, cabelos loiros de novo, 1 piercing (que "sumiu"), 2 tatuagens, um afilhado, um show de um dos Beatles, um show de um Nirvana, vários shows do meu irmão, algumas aulas (ministradas por mim), alguns concursos, algumas lágrimas, alguns sorrisos, alguns desejos...
O mais louco disso tudo é pensar que o que eu tinha planejado pra quando eu tivesse 23 anos eu tenho. Pensava em estar formada, morando sozinha, fazendo mestrado e com saúde. E, adivinhem só (sim, a notícia boa!!!) eu estou com saúde! Na verdade eu já estava, mas a questão é: NÃO, EU NÃO TENHO MAIS CUSHING! Meus exames estão oficialmente livres do cortisol extra! Aliás, meus últimos exames indicavam um índice abaixo da quantidade possível para análise. Isso poderia ser perigoso, se eu tivesse sintomas de outra síndrome, se eu estivesse caindo pelos cantos, sem conseguir praticamente me manter em pé. Mas não, eu sou a incrível Rafaella, com dois L. O quase nada de cortisol que estou tomando em comprimido são mais do que suficientes pra me manterem em pé, e não me fazem ter nenhum sintoma de fraqueza significativo. Aí que novamente eu entro naquelas loucuras de que eu devo ter super-poderes.
Enfim, o que me peguei pensando hoje no meu momento filosófico enquanto lavava louça é que lógico que eu não planejava ter Cushing no meio do caminho, mas eu tive, só que planejei estar bem e estar onde estou agora. Não importa o que passei, o resultado alcançado foi o que planejei. (rimou, ui) Claro que tenho muitos outros planos ainda, mas eu me imaginava mais ou menos como eu estou (só que mais magra! óbvio.)
É esquisito dizer "não tenho mais cushing". Digamos que eu nunca tive, de verdade. Nunca senti que eu tivesse que me privar de alguma coisa em decorrência da doença, do tumor e de todas essas coisas que parecem aterrorizantes. Parece que eu só falo disso, mas é esquisito falar de alguma coisa que, como agora eu não tenho mais, eu poderia simplesmente apagar do meu passado, dizer que nunca aconteceu. Mas acho que relembrar isso me faz uma espécie de veterana de guerra, faz de mim mais forte (apesar de eu mesma me achar uma fracote), parece até que foi tudo invenção da minha cabeça pra colocar um pouco mais de emoção na minha vida. Imagina que monótono seria se eu só tivesse feito uma graduação normal, sem ter que ficar internada no meio do caminho, se eu fosse calminha e meiga e não tivesse terminado namoros, se eu fosse uma filha e irmã exemplar que não discutisse e não brigasse e não desse xiliques, se eu tivesse ganhado bolsa no mestrado sem ter problema de ter acabado de fazer (mais uma) cirurgia no cérebro e quase não conseguir assinar os papeis... Imaginem que chato seria se eu não tivesse o prazer de começar a tomar bebida alcoólica, depois de achar que eu seria proibida pro resto da vida (sendo que antes eu nem bebia e não fazia diferença nenhuma). Imaginem que chato seria se eu continuasse magrinha como eu era e não tivesse nenhuma "estria de cushing"...
Essas marcas são minhas cicatrizes de guerra, minhas provas, meus lugares de memória. Numas aulas do mestrado, há uns dias, estávamos discutindo sobre memória coletiva, memória individual, memória-história e essas coisas... Os textos da disciplina fala(va)m sobre importância de histórias de vida (dentre outras coisas e uma discussão muito mais abrangente que isso, mas não vem ao caso), e eu me perguntei: será que a minha história vai ter importância pra alguém, além de mim (e minha mãe, meu pai, minha família e tals)? Que tipo de importância? O que é importante? O que deve ser contado?
Eu leio tanto Alice que já cheguei até a pensar que essas "pedras no caminho" podem ser tudo fruto de sonhos. O passado passou. Será que passou mesmo? Como eu acredito no passado? A gente vê o passado através do presente e mesmo assim é uma coisa muito rápida. Por exemplo, comecei a escrever esse post há umas duas horas... Fico escrevendo, apagando, pensando, selecionando palavras, lembrando... e o passado só se "concretiza" quando eu digito a palavra pra eternizar a fração do passado que eu quero tornar público. Nesse exato momento, estou escutando a música "Pumped up kicks", da banda "Foster the people". Eu queria tornar pública agora a sensação de satisfação que eu tô sentindo e a lembrança boa que essa música me traz, mas é impossível. Não tenho como colocar em palavras o que eu sinto numa fração de segundos e nem sei explicar. Essa música me lembra a primeira viagem que fiz junto com meu irmão, pra SP, que não foi pra eu ir pro hospital, foi pra eu ir a um festival de música, pra não me preocupar com cushing. A sensação de quando eu estava lá foi tão satisfatória quanto a satisfação de saber que passei por um monte de coisas ruins, mas superei e tô aqui escrevendo.
É inexplicável a nossa necessidade de querer se explicar. Escrever me dá essa possibilidade e ao mesmo tempo me tira essa possibilidade. Quando a gente escreve, a gente seleciona palavras e momentos pra serem registrados, mas essas escolhas nem sempre são as que exprimem o que nós queríamos, de fato.
Agora eu nem sei o que eu queria exprimir, pode ser que eu esteja só divagando, mas é porque estou bem.
Quando eu tinha muito "fato" pra contar - na minha fase cushingniana - é porque eu estava vivendo "altas aventuras", mas agora que venci o cushing, dei um UP na minha vida e possivelmente eu não precise mais citar essa doença. Posso deixar o passado passar e viver o presente pensando em outros planos, sempre mantendo a saúde nos meus pontos de chegada. Eu não excluo do caminho as intempéries, porque eu escolhi viver a vida no modo "hard e com emoção".
Desculpem-me os que vivem comigo e não escolheram essa opção, se quiserem me acompanhar vão ter que correr! (prometo que ajudo!)
Sempre que lembro dessa "minha escolha", falo pra mim mesma: sobreviver é fácil, quero ver ser eu! E aí, em seguida, meu subconsciente responde: Challenge accepted!
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
chorar é bom
Tem gente que chora de tristeza, tem gente que chora de felicidade, tem gente que chora por desespero, tem gente que chora de raiva, tem gente que chora de decepção, tem gente que chora de medo, tem gente que chora pelos outros, tem gente que chora por si mesmo, tem gente que chora com filme triste, ou com filme bonitinho, ou com filme de terror, tem gente que chora por nada... eu faço tudo isso e não tenho vergonha de admitir.
Chorar é uma catarse, purifica a gente, purifica a mente. Não traz solução, traz soluços, mas mesmo que não seja resposta pra nada, ajuda a aceitar as coisas, ou pelo menos a botar pra fora, vomitar o que o coração não aguenta... Sim, eu chorei quando vi o resultado do meu exame e meu cortisol continuava alto, chorei porque é difícil aceitar que você passou por 3 cirurgias, ficou internada em hospitais diferentes, longe da sua casa, tentou várias dosagens de remédios, foi em vários médicos, já leu sobre todas as possibilidades... É difícil aceitar que já são 4 anos com uma doença que parece não ter fim, saber que você contraria todas as estatísticas e todo aquele bla bla bla...
Aí me dizem e eu fico pensando com dor na consciência "mas tem gente que tá pior que eu"... Existir pessoas com problemas piores que o meu não diminui o meu sofrimento, nem apaga os meus problemas. Mas chorar pensando nisso elucida, limpa os pensamentos, ou só deixa eles molhados...
Aí me disseram: "Rafa, mas pensa que tu és muito interessante, eu gostaria de te estudar!" Claro né, uma aberração linda e de olhos azuis até eu ia querer estudar! Pena que sou eu mesma! 2 anos "estudando" a doença já tá bom, não quero me graduar, um tecnólogo em cushing já tá bom, agora chega.
Claro que me desesperei em ver que meu cortisol ainda estava alto, chorei, liguei pra minha mãe, meu irmão ouviu e praticamente me intimou a ir pra casa (achei cute, mesmo que quando eu chegue lá ele me me chame de chata o tempo todo) mandei e-mail e mensagem pra médica (as 23h!).
Ela me ligou no outro dia e me disse muito "reconfortantemente": "Fala, sua desesperada! Não se assusta assim, vamos trocar o remédio, tu pega a requisição de exame aqui e faz outro exame depois que tomar o outro remédio, eu vi teu anatomopatológico (vulgo: resultado da cirurgia) e tu não tens mais as adrenais é impossível tu produzires cortisol."
Não sei se isso me deixou mais calma ou só conformada com a minha situação de aberração. Mas em todo caso, eu recebi o telefonema quando estava no shopping center com a minha mãe, então eu já estava mais calma. Mesmo uma aberração, se está fazendo compras com a mãe, consegue ser calma. (fica a dica!)
Agora eu tô melhor, já chorei, já ri, já saí, já troquei o remédio... só não fiz um novo exame (é o que me amedronta, mas ok)
Essa semana não tô muito "auto-ajuda", mas até que tô com uns pensamentos "auto-ajudantes", só não tô muito apta pra expô-los, porque esses pensamentos são rápidos e eles correm de mim quando eu consigo chegar perto de alguma coisa pra registrá-los.
Acho que meu projeto "verão 2013 com medidas perfeitas magicamente" vai ter que ser alterado pra "verão 2014 com muito suor e malhação". Fazer o que, né? Eu sempre falava pra minha mãe na minha adolescência (cof cof, me sentindo idosa) "eu queria tanto ser diferente!"
Agora toma na cara, Rafaella.
Sou diferente de todas as estatísticas de "praticamente 100% dos casos de cura após adrenalectomia". Eu sou o "praticamente"! Não era isso que eu pedia (eu acho)... acho que isso serve pra eu aprender a pedir melhor, ser mais específica. Deixar de ser preguiçosa na escolha das palavras, a gente tem que falar tudo que precisa, nem mais, nem menos.
Mas contrariando o que eu acabei de afirmar, vou parar de "falar", porque mesmo que eu precise falar outras coisas, não acho que agora seja o momento (até porque eu tô atrasada pra outras coisas, enfim...)
Não que escrever no blog seja uma coisa muito necessária, né? Mas é tipo chorar... escrever faz a gente se organizar e tentar colocar as ideias no lugar.
Chorar é bom. Escrever é bom. (sem analisar sintaticamente, por favor, obrigada)
Aí me disseram: "Rafa, mas pensa que tu és muito interessante, eu gostaria de te estudar!" Claro né, uma aberração linda e de olhos azuis até eu ia querer estudar! Pena que sou eu mesma! 2 anos "estudando" a doença já tá bom, não quero me graduar, um tecnólogo em cushing já tá bom, agora chega.
Claro que me desesperei em ver que meu cortisol ainda estava alto, chorei, liguei pra minha mãe, meu irmão ouviu e praticamente me intimou a ir pra casa (achei cute, mesmo que quando eu chegue lá ele me me chame de chata o tempo todo) mandei e-mail e mensagem pra médica (as 23h!).
Ela me ligou no outro dia e me disse muito "reconfortantemente": "Fala, sua desesperada! Não se assusta assim, vamos trocar o remédio, tu pega a requisição de exame aqui e faz outro exame depois que tomar o outro remédio, eu vi teu anatomopatológico (vulgo: resultado da cirurgia) e tu não tens mais as adrenais é impossível tu produzires cortisol."
Não sei se isso me deixou mais calma ou só conformada com a minha situação de aberração. Mas em todo caso, eu recebi o telefonema quando estava no shopping center com a minha mãe, então eu já estava mais calma. Mesmo uma aberração, se está fazendo compras com a mãe, consegue ser calma. (fica a dica!)
Agora eu tô melhor, já chorei, já ri, já saí, já troquei o remédio... só não fiz um novo exame (é o que me amedronta, mas ok)
Essa semana não tô muito "auto-ajuda", mas até que tô com uns pensamentos "auto-ajudantes", só não tô muito apta pra expô-los, porque esses pensamentos são rápidos e eles correm de mim quando eu consigo chegar perto de alguma coisa pra registrá-los.
Acho que meu projeto "verão 2013 com medidas perfeitas magicamente" vai ter que ser alterado pra "verão 2014 com muito suor e malhação". Fazer o que, né? Eu sempre falava pra minha mãe na minha adolescência (cof cof, me sentindo idosa) "eu queria tanto ser diferente!"
Agora toma na cara, Rafaella.
Sou diferente de todas as estatísticas de "praticamente 100% dos casos de cura após adrenalectomia". Eu sou o "praticamente"! Não era isso que eu pedia (eu acho)... acho que isso serve pra eu aprender a pedir melhor, ser mais específica. Deixar de ser preguiçosa na escolha das palavras, a gente tem que falar tudo que precisa, nem mais, nem menos.
Mas contrariando o que eu acabei de afirmar, vou parar de "falar", porque mesmo que eu precise falar outras coisas, não acho que agora seja o momento (até porque eu tô atrasada pra outras coisas, enfim...)
Não que escrever no blog seja uma coisa muito necessária, né? Mas é tipo chorar... escrever faz a gente se organizar e tentar colocar as ideias no lugar.
Chorar é bom. Escrever é bom. (sem analisar sintaticamente, por favor, obrigada)
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
cortisol 24h
Tenho poucas coisas a dizer...
frustração
decepção
desespero
aberração
incompreensão
espero explicação, SOLUÇÃO. e só.
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frustração
decepção
desespero
aberração
incompreensão
CORTISOL LIVRE URINARIO * Metodo: quimioluminescencia * CORTISOL LIVRE..........: 361,26
(valor de referência: 55,5 a 286,0 ug/24h)
* OBSERVACOES * Volume tido como de 24 horas em ml: 1620 Realizado DLE, RJ sob no: 002-16293-336 Data e hora do registro da coleta: 06/08/2012 as 06:00
espero explicação, SOLUÇÃO. e só.
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