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domingo, 19 de novembro de 2017

Sobre distâncias.

A primeira vez, que eu lembro, que tive que lidar com distâncias foi quando eu tinha uns 9 anos de idade e fui morar em Joinville, porque meu pai foi transferido do trabalho. Eu fiquei longe da minha família, dos meus amigos, dos lugares que eu estava acostumada. O pouco tempo, em números, em que fiquei naquela cidade, me pareceu uma eternidade, porque eu estava longe de tudo que - a princípio - me fazia ser eu. A partir daí, eu fui aprendendo a lidar com distâncias do meu jeito: ficando só eu e a escrita, seja lendo ou escrevendo. 
Eu entendi que nada, nem ninguém estava impossibilitado de estar distante. A escrita, sim, poderia não ser distante. Não ser distante de mim.

Depois disso, lembro de ter lidado com distâncias de diversas formas, mas as que mais marcaram foram as distâncias que não eram físicas. Quando eu fiquei internada, eu fiquei longe da minha casa e da minha família de novo, mas não foi só fisicamente. Os relacionamentos não são os mesmos depois que as pessoas passam por problemas que não sabem explicar. A gente fica marcada. As distâncias deixam cicatrizes.
Conforme o tempo vai passando, a vida adulta vai cada vez mais dando as caras, as distâncias vão se tornando mais frequentes. As amizades vão se distanciando fisicamente, cada um toma um caminho que sonhou, planejou, ou que surgiu. As distâncias físicas, aí, se tornam também emocionais, e a gente vai conhecendo outros tipos de distâncias. 
A gente vai descobrindo que uma pessoa do lado pode estar distante. A gente descobre que pode parecer distante, mesmo sem querer. 

A gente descobre que as distâncias deixam tantas marcas que a gente se distancia até de si mesmo.

A gente lê o noticiário, as redes sociais, e tenta se distanciar da realidade. 
A gente se distancia das ideias que um dia passaram na nossa cabeça. 
Eu um dia pensei que se a gente conversasse com qualquer pessoa, as coisas poderiam se resolver.
As distâncias são tão traiçoeiras que elas não esperam muito tempo pra aparecer. 

A gente vive buscando encurtar as distâncias. 

Eu vivo tentando encurtar distâncias. Eu vivo querendo o amor do meu lado. 
Por isso eu escrevo.

terça-feira, 28 de março de 2017

O que eu vou fazer com essa tal liberdade?

No início desse ano, pedi às alunas e alunos dos segundos anos do Ensino Médio, depois de algumas discussões, que escrevessem uma crônica sobre Liberdade. Os textos, dos mais variados pontos de vista, fizeram-me refletir sobre inúmeras coisas e - para variar - estudantes me deram um baile na criatividade e em lições.
Dentre os textos, um deles foi iniciado com muitos desvios de ortografia e de norma padrão da Língua, discorrendo sobre a liberdade de escrever sendo uma pessoa com problemas sociais e psicológicos; à medida que eu ia lendo - e me surpreendendo com a escrita, pois era de estudante que eu já conhecia, com excelentes notas e que normalmente não cometia equívocos de ortografia - eu refletia sobre o assunto. Ao final do texto, nova surpresa: uma assinatura. Texto em primeira pessoa, como se fosse uma carta de despedida de alguém que sofria preconceitos das mais variadas formas, inclusive linguístico. Porém, o eu lírico era de quem achou a carta e a transcreveu, refletindo sobre a situação da falta de liberdade de "ser". Um soco na minha cara. Outro texto, descrição da aula, desde o momento em que entrei na sala, até a hora da escritura, em que eu - com a ~autoridade~ de ser professora, - solicitei o texto, sem que alunas e alunos pudessem escolher a temática, dentre outras reflexões acerca do sistema de ensino (!!!!). 
Próxima aula. Outro assunto. Outra turma. Primeiros anos do Ensino Médio. Dia oito de março. Igualdade de gêneros. Identidades. Feminismo(s). Debates. Perguntas. "Professora, por que as feministas não gostam de receber parabéns no dia da mulher?"; "Professora, por que existe dia da mulher e não do homem?"; "Professora, por que as feministas não lutam para ter alistamento militar, ou pela licença paternidade?"; "Professora, feminismo é o contrário de machismo?"; "Professora, mas qual é o tipo de feminismo que não pode se depilar?"; "Professora, mas como existem mulheres que não são feministas?"; "Professora, mas a gente não tem espaço para dar nossa opinião"; "Professora, como eu sei que não estou sendo preconceituoso?"; "Professora, como uma mulher pode oprimir outra mulher?". Tudo ecoava na minha cabeça e eu só conseguia pensar nos textos escritos pela outra turma. Comecei do início, contando quem eu era, por que eu estava ali e por que eu pedi para todo mundo sentar no chão e fazer perguntas.
Ser professora é lidar com pessoas e dúvidas reais, é todo dia ter desafios. Não é como lidar com comentários raivosos de internet, onde as pessoas não estão olhando nos olhos umas das outras. Ser professora é ter consciência de que meus ideais e meus posicionamentos não são a verdade absoluta, é ter o cuidado de responder perguntas refletindo sobre as escolhas das palavras e deixando claro àquelas pessoas que estão na minha frente que elas são livres para criticarem, questionarem ou reformularem certos conhecimentos. Ser professora é saber que estamos em constante formação, é se desconstruir e aprender com as outras pessoas dentro da sala de aula. Ser professora é estar em constante interação. Ser professora é, basicamente, ser uma pessoa. Isso pode parecer redundante, tautologia, mas muita gente não tem consciência disso. Muita gente acha que ser professor é ser doutrinador. Muita gente acha que ser professor é usar sua autoridade para formar um exército de pessoas que pensam igual. Muita gente acha que ser professor é poder limitar os pensamentos de outras pessoas. Muita gente acha que ser professor é ser ditador. Muita gente que acha essas coisas não tem relação nenhuma com Educação, não estudou para ser educador(a) e - na maioria das vezes - nem defende a Educação. De todas as professoras e professores que eu conheço, nenhum deles faz parte dessa gente. 
As respostas das perguntas lá de cima? Foram construídas em conjunto com todas as pessoas que estavam dentro daquele ambiente. Estudantes entenderam que sala de aula é lugar para perguntas. Estudantes entenderam que uma professora pode ter posicionamentos diversos e respeitar opiniões alheias. Estudantes entenderam que Igualdade pode receber vários nomes, alguns chamam de Feminismo (e que não existe só um tipo de feminismo, assim como não existe só um tipo de mulher!). Estudantes entenderam que existem estereótipos sobre inúmeras coisas, sobre feminismo é só mais uma delas. Estudantes entenderam que às vezes somos preconceituosos, mesmo sem perceber. Estudantes entenderam que existem diferenças entre homens e mulheres, mas também existem diferenças entre as próprias mulheres. Estudantes entenderam o que é privilégio. Estudantes entenderam que na minha sala de aula podem questionar, criticar e serem livres para fazerem escolhas, mas que tudo na vida tem consequências. 
Ser uma professora feminista é ter o objetivo de ensinar que sala de aula é lugar de respeitar opiniões, posicionamentos, histórias de vida. Ser professora linguista e feminista é aprender a aceitar que, às vezes, as pessoas têm nomes diferentes para as mesmas coisas e algumas pessoas têm medo de usar certas palavras, porque podem ser socialmente prejudicadas. Ser professora literata e feminista é entender que as subjetividades existem, mas podem ser desconstruídas e, às vezes, isso acontece naturalmente. Ser professora feminista é entender que estudantes são seres em formação, assim como eu. Ser professora feminista é lutar pelos direitos das e dos estudantes serem o que quiserem. Ser professora feminista é vibrar de felicidade quando estudantes querem ser pessoas melhores e lutar do teu lado para que outras pessoas sejam felizes sendo como quiserem.

P.s. Comecei esse post pensando em falar sobre inúmeros assuntos acumulados, sobre o projeto Marias vão com as outras, sobre eu ser libriana e não saber o que fazer com a tal liberdade, sobre o tumor finalmente estar diminuindo... Mas as palavras saem livremente da minha mente para os meus dedos de forma diferente do que eu planejo, então... o que eu fiz com a liberdade de hoje foi esse post. :)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Primeiro dia de aula: uma história sem fim.

2015 e o primeiro dia de aula dos alunos. 
Novo colégio pra mim, nova professora pra eles. 
Novas turmas, novos alunos, novo programa de ensino. 
Tudo novo. 
Porém, algumas coisas continuam iguais: o novo sempre dá aquele friozinho na barriga, aquele "medinho" do desconhecido, aquela ansiedade... 
Volta de férias em plena quinta-feira pós-carnaval nem é bem uma volta de férias, é mais um reencontro dos amigos/colegas que qualquer coisa - pros alunos. 

Os alunos ainda estão naquele alvoroço, eu só dou uma aula em cada turma e, como desta vez eles são (em média) 40 ao invés de 25, estranhei um pouco este "mísero" detalhe... 
De início, aqueles 40 parecem uma "coisa" só, aqueles rostinhos ainda não foram assimilados pelo meu cérebro, os nomes, então, muito menos; eles juntos parecem um único som: o da bagunça. 
Aí aquele meu frio na barriga foi se transformando em calor no momento em que eu abri e boca e disse: bom dia. (aqueles rostinhos me diziam "bom dia pra quem, cara pálida?") 
Aquela resposta em uníssono me fez pensar nos Iskalnari, da "História sem fim" - os marinheiros da névoa, que viviam em conjunto, sempre juntos, eram iguais; mas por serem iguais não sentiam falta de um "indivíduo", a unidade não era importante. Isso me incomodou. 
Depois de uma breve dinâmica (quem diria, heim? eu fazendo dinâmicas...) pedi que eles escrevessem um pequeno texto, motivados pelo diálogo entre a Lagarta e  a Alice (previsível...), respondendo à pergunta "Quem és tu?" Aula terminada, textos escritos. Voltei pra casa.

Cheguei em casa e fui ler os textos... cada texto, uma letra diferente, uma quantidade de linhas diferente, um nome, uma identidade, algumas risadas, algumas emoções... Aquela unidade do primeiro dia de aula foi se transformando. O "uníssono" agora era "Vários". 

Segundo dia de aula.
Os alunos agora não eram apenas um som, eles eram diferentes rostos que respondiam à chamada pelos diferentes nomes que lhe foram "determinados", mas que não os definem simplesmente. 

Uma semana de aula.
Aqueles rostinhos nomeados já tem idiossincrasias perceptíveis e já me fazem sorrir há alguns dias. Os pequenos seres, que têm entre 12 e 13 anos, já fazem parte dos pensamentos de uma professora motivada por eles e para eles. E isso me faz lembrar que eu sou alguém também porque eles existem. E isso me deixa feliz.

No fim de cada dia de aula, ele sempre é o primeiro, o único, mas não por ser igual aos outros, mas porque fez parte da vida de cada um daqueles indivíduos que estão lá me olhando na frente da sala... E eles, com seus olhares curiosos, fazem eu ter vontade de continuar as aulas, essa história sem fim, sorrindo.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

um quarto de século e as hipóteses.

– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é? 
(LOBATO, Monteiro. Memórias de Emília, 1936)

Começo esse meu post de hoje assim, pensando nas hipóteses. 

Hoje, dia 30 de setembro de 2014, sou uma mulher de 25 anos de idade, tenho um quarto de século vivido. Pensando assim, às vezes me sinto uma velha: já faz 6 anos que tirei CNH (e ainda não pego na direção por medo de seiláoque), espero pra pegar o "próximo" ônibus sentada, recebo ligação da Renner e já acho que é conta atrasada, tenho amigos há mais de 10 anos, a maioria dos meus alunos têm em média 15 anos (socorro!). Por outro lado, me sinto tão próxima dos meus alunos que às vezes acho que não posso ter vivido "tanto", gosto de ver desenhos animados, uso camisetas com estampas da disney ou de super heróis, ainda uso all star, a maioria das roupas no guarda-roupa AINDA é de cor preta (viu, não era uma fase, mãe!) , ainda tenho dúvidas e crises existenciais de quando tinha 15 anos (mas com um pouquinho mais de reflexão teórica, o que não sei se é melhor ou pior), ainda tenho amigos que zoam nos comentários de postagens do facebook (do tipo "a vida me fez rockeira", ou "a Rafa já foi uma gordinha batuta"), ou que postam fotos avacalhadas no dia do meu aniversário, ou que me chamam pra "roubadas"... Por isso, essa citação das "Memórias de Emília" representa bastante do que eu penso da vida. Num piscar de olhos as coisas passam, num piscar de olhos já se passaram 25 anos, num piscar de olhos a gente cresce - ou diminui, num piscar de olhos a vida se vai... Sim, a vida se vai, e a gente tem que ter vivido tudo o que queria - ou o que precisava - pra ela ter valido a pena.
No dia do meu aniversário um tio meu faleceu, passei o dia ao lado da minha família, mas não em clima de festa. Isso me fez refletir sobre muitas coisas que eu acredito, penso, imagino, faço... As pessoas são preparadas para o nascimento, durante 9 meses - tanto os que estão para nascer, quanto os que vão cuidar (ou não) de quem nasce. E para a morte? Nós não nos preparamos devidamente? O que seria nos preparar para a morte? Saber viver a vida? Saber lidar com perdas? São tantas as perguntas que as possíveis respostas são infinitas. Infinitas hipóteses. 
Depois de tudo que passei (com o cushing e etc), comecei a pensar mais no que pode ter "depois" (ou não). As pessoas que nos deixam, que morrem por qualquer motivo que seja, tiveram seu tempo, sua missão, ou seja lá como quiserem chamar. Quem fica sempre vai sentir um vazio enorme, mas quem vai cumpriu o seu tempo. Nunca li muito sobre espiritismo, (sou batizada em igreja católica, fiz 1ª comunhão, nunca mais fui em uma missa) mas acredito que temos um tempo a cumprir e, sim, infelizmente algumas pessoas têm pouco tempo. Infelizmente apenas para quem fica no mundo terreno. Não sei no que eu acredito depois que "saímos daqui", mas me conforta pensar que existe um depois. Depois que morremos, viramos hipótese. Hipóteses infinitas na mente de quem fica. Hipóteses de coisas boas (e ruins) que não aconteceram, hipóteses de um encontro "no além", hipótese de que viraremos energia positiva, hipóteses... Quem me conhece sabe que eu não sou uma pessoa religiosa ou coisa do tipo, mas acredito sim num universo de energias e que estamos cercadas por elas. Por isso, nesse meu um quarto de século eu só posso desejar que as hipóteses da vida sejam todas energias positivas.
25 primaveras vividas com quem me ama, com quem eu amo. Sou grata a todos que já passaram pela minha vida, que ainda estão comigo e que ainda vão aparecer, que ainda são hipóteses ou que já foram. Principalmente, grata aos amigos que terei para sempre, sejam amigos de sangue, amigos de escolha, amigos que amarei nesta e em qualquer das estações. 

Se numa vida temos várias piscadas, desejo que todas essas piscadas sejam bem aproveitadas. Por todos nós. Viva a vida.

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domingo, 6 de abril de 2014

O dia em que fui assaltada e ganhei uma flor.

Sim. Fui assaltada, à mão armada. 
Apesar da pessoa ter me levado celular e dinheiro, não me levou nada, absolutamente nada além disso, aliás, até me deu uma coisa... Deu uma reflexão. Vou parar de ser obscura e vou explicar...

Eram 23 horas de uma sexta-feira, eu estava no ponto de ônibus esperando para, tradicionalmente, me encontrar com amigos e relaxar no fim da minha semana atribulada. A rua estava movimentada, carros e pessoas apressados, pois acabava de começar a chover. Em algum momento da minha espera, vem em minha direção um homem de bicicleta. Não me preocupei, aliás, nem pensei em nada, até que ele sobe de bicicleta na calçada, pensei, então: serei assaltada. Tinha absoluta certeza disso, não me pergunte como. Apesar disso, permaneci parada, sem reagir, sem pensar, sem sentir medo. Sim, nada de medo, permaneci calma, consciente da situação, mas surpreendentemente calma. O homem, de boné e moletom - não estava bem vestido, mas também não parecia um morador de rua -, tirou de uma pochete, um revólver e soltou os dizeres: "me dá o dinheiro da tua carteira e o teu celular, e não grita senão estouro tua cabeça". Tranquilamente, eu abri minha bolsa, tirei o celular, abri minha carteira, tirei o dinheiro de dentro dela, fechei a carteira. Entreguei celular e dinheiro, continuei com minha carteira, bolsa, e tudo que tinha. Inclusive com minha tranquilidade. Aliás, tranquilidade que até agora não sei se era minha mesmo.
Fiquei alguns segundos sentada ainda, sem saber o que fazer. Levantei, e voltei para meu prédio, parei na portaria e disse ao porteiro que tinha sido assaltada, ele, muito solícito, perguntou se eu estava bem e me deu um copo d'água. Subi, meus pais não estavam em casa, comuniquei meus amigos, que me levaram para fazer um B.O. 
Depois disso, saímos da delegacia e fomos fazer um lanche. Sim. Eu continuava tranquila, não queria voltar pra casa e perder minha noite. Já no lugar, um (suposto) morador de rua aparece perto da gente, com uma caixa e uma flor e diz: "Boa noite... " e eu, mais do que rapidamente, respondo sem dar tempo de ele completar a frase: "não queremos nada, obrigada." e ele: "Vim te dar essa flor (uma rosa), não precisa pagar nada...". Naquele momento, eu paralisei, pensando no que acabara de me acontecer. Duas situações opostas, na mesma noite, que me disseram: você está bem, não importa o que tenha acontecido, você só ganhou, basta identificar o que, e não olhar para o pontinho colorido no papel branco.
Imagino que, os que lerem isso, pensem "Mas que síndrome de Polyanna! A Rafa ficou maluca!" Talvez eu até tenha ficado, mas não foi só agora. 
Essas situações só me fizeram refletir sobre o status quo da sociedade, refletir que não posso generalizar as pessoas que, supostamente, estão nas mesmas condições. Que eu, por mais que tenha "perdido" celular e dinheiro, estou bem, ótima, não perdi nada de significativo. Simbolicamente, apenas ganhei, uma flor, como um gesto de quem não me pedia nada em troca, uma bondade pra quem precisava dela. E eu não julguei depois disso, apesar do preconceito inicial, eu apenas aceitei a bondade. Porque a gente precisa, todo mundo precisa. Até mesmo o homem que me assaltou precisa. E ele, ainda mais do que eu.

domingo, 9 de março de 2014

Crise existencial, só que não.

Essa semana estava eu fazendo "aquela" limpa no meu quarto, no meio de uma big-bagunça, e me deparei com duas agendas antigas, cheias de folhas em branco. Não quis jogar fora. Eu sou meio "acumuladora" e costumo guardar várias tralhas que não servem pra nada, mas têm valor sentimental, mesmo que esse sentimento seja meio insignificante. 
O caso da agenda é meio metafórico, não quis me desfazer porque ainda havia muitas folhas em branco e eu tenho fetiche por folhas em branco, mesmo que eu nem vá usá-las, vai que um dia eu use, né? Sim, tipo aquela do unicórnio, vai que precisa... As folhas em branco da agenda, no caso, representam dias que se passaram e eu não registrei nada, ou não lembrei de registrar, aí fico pensando: será que eu aproveitei esses dias e não tive tempo de escrever nada? Ou será que eu nem tive nenhum compromisso? Ou será que eu esqueci? Geralmente a gente lembra só de coisas mais marcantes, até já falei sobre isso, ou são coisas muito boas ou muito ruins. Aí pensando nisso eu lembrei que deveria registrar mais uma etapa da minha vida, pra posteridade...
A etapa que eu quero registrar hoje é o início da minha vida como Professora, porque é assim que sou chamada durante a semana, de segunda a sexta eu não tenho nome próprio. E sim, estou adorando. Sou praticamente um zumbi, acordo às 5h30, dou aula até as 22h, mas me sinto leve, satisfeita. Mais uma vez não me imagino fazendo outra coisa. 
No início do ano eu ainda não sabia o que seria de 2014, fiz algumas entrevistas, enviei currículos para inúmeras escolas e fiz duas seleções para professor. Passei nas duas seleções, no Colégio de Aplicação da UFSC e no Centro universitário de São José. Confesso que não acreditava muito que ia passar nem em um e nem em outro, mas passei e serviu para eu confiar mais em mim mesma. Mesmo sendo para professora substituta nos dois casos, a sensação de conquista é muito boa. Passada a euforia da contratação, vieram as aulas: Ensino Médio - 1ºs e 3º ano -, Graduação - Administração e Pedagogia. A primeira semana era tudo novidade, tanto pra mim quanto pros alunos, uns até mais velhos que eu. A frase mais ouvida foi: "Você é a professora? Pensei que era aluna". (inclusive no primeiro ano do ensino médio!) Depois da surpresa da minha cara de novinha (ui!), percebi o respeito pelas minhas aulas e fiquei satisfeita que minha escolha foi a certa. Saio flutuando de cada aula. Claro, sempre há aquelas bagunças, umas chamadas de atenção, mas até isso dá uma certa satisfação, porque faz eu me lembrar que isso é o mundo real e eu tenho que aprender junto com os alunos. Já se passou mais de uma semana de aula e o saldo até agora é bem positivo: fui convidada para participar de uma banca de TCC, para ser orientadora de um TCC e para ser madrinha da turma do 1º ano nas Olimpíadas do colégio. Pra quem não vive a profissão, talvez não saiba o que é a satisfação de fazer o que gosta, mas vou contar um segredo: é muito bom, todos deviam tentar!
Ainda falta muito pro término do ano letivo, mas espero que todos os dias me façam flutuar de alegria e satisfação e também que meus alunos possam sentir isso um dia, na profissão que escolherem.
Faz bem pra alma. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

2014, o ano das mudanças (ou, o dia do desmaio irritado)

Pois então, a primeira escritura do ano... Não quis fazer uma retrospectiva do ano que passou, porque o que passou, passou (tautologia é amor, -sqn). Portanto, prefiro falar de abstração, do que ainda não foi, do que é só fluxo de consciência (por enquanto).

Dizem que esse ano será de mudanças (tomara que sejam pra melhor!), pois eu, moça observadora que sou, já percebi mudanças (in)significantes na minha vida. A primeira delas: minha compulsão por controle, planejamento e metas se foi por água abaixo... Pela primeira vez na minha vida eu não sei o que eu quero fazer, não estou preocupada em cumprir algum prazo, ou preocupada com saúde (não como nos últimos anos). É uma sensação estranha, de alívio e ao mesmo tempo de ansiedade por não saber o que o mundo me reserva. Nunca fui do tipo "deixe a vida me levar", mas essas "férias" (leia-se: desempregada no momento) estão me ensinando a ver as coisas com outros olhos. Esse olhar diferente PASMEM me faz "aproveitar" até os segundos, sem ficar pensando no que pode acontecer. Alguns chamariam de inconsequência, eu não sei ainda do que chamar, porque é algo novo pra mim. 

Conheci muitas pessoas nesse ano que passou, tive muitas experiências gratificantes, mas essa expectativa pela novidade é tão misteriosa que, às vezes, apaga alguns fatos antigos. Eu prefiro pensar que daqui pra frente vão me surgir oportunidades que me situem nessa passagem louca que é a vida, porque até agora eu estou meio desnorteada. Quem sabe todas essas "loucuragens" (vide todos os outros posts do blog) sirvam de lição pras minhas decisões, ou de exemplos em novas situações. Esse ano pra mim é bastante incerto e comecei a achar que o incerto pode ser bom, mesmo com os percalços...

Um dos percalços já se apresentou, esse não tão bom assim. Um pseudo-desmaio (porque eu não sei se foi bem um desmaio, nunca desmaiei antes), pura e simplesmente porque eu fiquei IRRITADA (sim, eu irritada não é novidade). É (pros que sabem da saga do cushing - insuficiência adrenal), faltou cortisol pra controlar o estresse e comecei a ver tudo branco, ficar tonta e o corpo pesar e.... meu pai me segurou e enfiou 2 comprimidos goela abaixo e PLIM, Rafaella nova em folha. Nunca tinha acontecido nada tão extremo assim ainda, por culpa da insuficiência adrenal, mas pelo menos agora já sei como é e já sei quando é hora de tomar outra dose de prednisona. Claro que todos os presentes no momento se assustaram, mas, como sempre, depois nós damos risadas e tá tudo certo.
Tirando essa nova doideira, eu passei UMA SEMANA na PRAIA. Coisa que também nunca fiz na vida. E ainda pra complementar: fiquei bronzeada. Sim, bronzeado com colaboração do tumor ~querido~ produtor de ACTH (sim, esse continua lá em algum lugar da minha grande hipófise de 3mm), que provoca hiperpigmentação, logo, pego sol e fico da cor do pecado (ui!). Claro que no meio dessa semana aconteceram alguns episódios bizarros, tipo ataque de pânico por causa de uma aranha e coisas do tipo, mas nada muito extraordinário vindo de minha parte. 

Enfim... quem sabe as novas peripécias de Rafaella esse ano sejam menos "irritadas", pra não ocorrer muitos desmaios, e que as mudanças venham em doses homeopáticas, mas sempre positivas. 

Um feliz início de ano pra todos. ;)



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Paraíso astral

4 dias pra 24. 
Um ano depois de ter postado que o Cushing se foi. 
Sei que já devo ter comentado que não gostaria mais de falar sobre isso, porque é uma coisa que já passou e tals... mas sim, ainda repercute: 16 kg a menos (e diminuindo a cada semana).
Cada quilo a menos eu percebo o quanto isso me incomodava e como estou bem agora.
É uma coisa incrível como as pessoas são preconceituosas sem perceber, já ouvi muito "Nossa, Rafa, como tu emagreceu, tá bem bonita agora!" Tipo, ah, obrigada por dizer que eu estava horrorosa antes. É claro que a gente se importa pouco com o passado, quando está se sentindo linda e magra, mas é uma coisa para refletir. Quantas vezes a gente perde a oportunidade de elogiar uma pessoa, mesmo que ela não tenha emagrecido? Quando eu estava redonda, ou seja, quando eu mais precisava de elogios, ninguém falava nada. Hoje, que me sinto bem, que me acho linda quando me olho no espelho, algumas pessoas soltam a máxima... (Claro que eu gosto de elogios e não tô fazendo pouco caso, podem me elogiar, me chamem de linda e maravilhosa o tempo todo, obrigada!) 
Recebo muitas perguntas e e-mails de pessoas que têm, ou tiveram cushing, ou estão fazendo exames porque têm suspeitas... Cada organismo reage de um jeito, cada pessoa pode desenvolver o cushing por motivos diferentes, o meu foi o tumor hipofisário (que continua lá na hipófise, minúsculo, mesmo depois de 3 cirurgias), mas existem outras possibilidades, eu não sou especialista, mas sei como é se sentir sob efeito de uma droga foda: o hormônio, cortisol. Enfim... às vezes a gente conhece pessoas e nem faz ideia o que elas passam e sentem, mas todo mundo precisa de coisas boas, companhias boas e pessoas do lado que deem apoio.

A questão é simples: elogiem mais! Além de fazer alguém feliz, te traz bem estar também! :)

Não costumo postar fotos aqui, mas para ilustrar a diferença dos meus longos anos cushingnianos e os recentes sem o cortisol extra, eis a comparação:
Primeiras fotos: Dona Lua Cheia
Últimas fotos: Rafaella! ;)




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Update: Para quem perguntou por que eu me autointitulei "Dona Lua Cheia", é porque o nome do sintoma, do cushing, que deixava meu rosto redondo assim (de inchaço) é: face de lua cheia. E sim, eu não me reconhecia quando me olhava no espelho, mas isso já está explicado em outros posts. Boa leitura! ;)
Update 2: Dê uma lida no meu post sobre GORDOFOBIA

terça-feira, 5 de março de 2013

sobre memória e esquecimento, ou, sobre felicidade e dor, ou ao contrário.


Conversando com a minha mãe, no hospital essa semana, a gente falava sobre a maravilha que é "esquecer". Ela teve que passar por uma cirurgia, em consequência da doença que ela tem, Crohn. No hospital é sempre um clima ruim, enquanto pacientes, ficamos de baixo astral e o mal-estar é constante. No entanto, eu, que passei por 4 cirurgias delicadas em +/- 3 anos, tentei de alguma maneira animá-la, dizendo que já não lembro das dores e do sofrimento que foi ficar no hospital. Ela passou a pior noite da minha vida junto comigo, quando meu cérebro dançava na minha cabeça. Foi uma sensação terrível, mas hoje já não sei mais descrevê-la, porque meu corpo esqueceu (ainda bem!). O caso é que esse processo de lembrar e esquecer é uma coisa tão louca, mas tão necessária e tão automática na nossa vida que a gente nem percebe e nem dá valor. Aliás, a gente não dá valor a inúmeras coisas quando estamos saudáveis, mas eu lembro de já ter falado disso e lembro também de comentar que odeio esses comentários do tipo "ah, mas às vezes a gente precisa passar por uma coisa ruim pra dar valor"... Eu acho que não precisa não! Assim como eu acho que não precisamos lembrar de tudo (que já passamos) pra saber o que queremos ou não pras nossas vidas. Imagina só o que seria da nossa cabeça se nós lembrássemos de TUDO pelo que passamos, precisaríamos de um cérebro imenso, íamos parecer aquele personagem de animação "MegaMente"... Prefiro esquecer. Às vezes a gente briga consigo mesmo porque a memória não é tão boa e não decoramos "aquela matéria pra prova", ou esquecemos o guarda-chuva em casa e caiu uma tempestade na hora de voltar do trabalho... Mas aí vamos pensar como a Pollyanna, imaginem que pior seria se a gente esquecesse como respirar? E vamos problematizar a situação... enquanto fazemos qualquer coisa no dia-a-dia, esquecemos que estamos respirando, mas nosso corpo inteligente lembra sozinho pra nós podermos lembrar de outras coisas que julgamos mais importantes. 
Olha que interessante, julgamos que 'OUTRAS COISAS' são mais importantes que respirar, mas quando estamos num hospital, respirar parece uma coisa extraordinária, uma benção, uma dádiva, qualquer coisa genial e maravilhosa. Dei o exemplo de 'respirar', pra não dar um exemplo mais nojento, porque sou uma garota comedida (cof cof). 
Semestre passado, a última matéria que eu fiz no mestrado, por coincidência ou não, era sobre memória. (e várias outras coisas, que não convém ficar enumerando e que, óbvio, algumas coisas eu esqueci mesmo) Não lembro qual autor exatamente, Pollak ou Halbwachs ou...?, discutia a questão da memória silenciada... é um caso complicadinho, parece paradoxal... existem as lembranças que geralmente atribuímos às coisas boas, nostalgias, mas existem lembranças que não são bem-vindas... Nem toda "ativação de lembrança" é boa como a Madeleine de Proust. Algumas memórias querem não ser lembradas, essas são as dores (no meu caso, a dor no cérebro dançarino, que eu lembro só da situação, mas não quero lembrar da dor nunca!). É engraçado como as pessoas geralmente querem falar das lembranças boas, mas as lembranças ruins preferem que sejam "apagadas" e, por isso, calam. O mais estranho é que geralmente, pras coisas ruins existem mais ouvintes que pras coisas boas. 
Vê-se o fenômeno "compartilhamento em redes sociais", compartilha-se muito mais desgraça que coisas boas. As redes sociais são como o Big Brother (não o da TV, o de Orwell mesmo), mas pioradas. As pessoas compartilham na rede a todo instante informações desnecessárias, como quem diz "oi, estou aqui! Lembrem que eu existo!". O que me intriga é saber se lembraríamos (bem ou mal) dessas 'tais pessoas' se a vida privada não fosse tão pública, como hoje em dia. Como as pessoas viviam antes da internet? Eu já tinha nascido antes disso. Nem eu lembro! 
Lembrar e esquecer são coisas tão comuns e ao mesmo tempo tão complexas. Essa necessidade de compartilhar a vida nas redes sociais deve ser consequência de algum tipo de medo de ser esquecido, ou de não ser lembrado (e isso não é a mesma coisa! e eu já falei disso! e eu acho que tô muito repetitiva. não. vamos dizer que eu só tô lembrando)
Eu, com meu blog e redes sociais e tudo o mais, faço parte dessa "massa" apavorada que compartilha a vida por aí, pra ser lembrada. E, como diz a Emília (sim, a do Monteiro Lobato), o escrevedor de memórias escreve de um jeito que o leitor fique fazendo grande ideia do escrevedor. Óbvio que eu seleciono o que quero que seja mostrado, assim como nosso cérebro seleciona o que a gente quer (e/ou precisa) lembrar... Porém, ao contrário das teorias sobre a memória silenciada - geralmente as memórias ruins são silenciadas - , (sem entrar no mérito do que seriam memórias ruins, academicamente falando os exemplos eram as memórias da guerra, assim como na crise do "Narrador" do Benjamin e aí eu lembro de já ter falado da "crise dos ouvintes") eu saio distribuindo memórias mucho loucas de situações pessoais relacionadas a momentos em hospital e etc. Pra uma pessoa normal, memórias em hospital não são coisas boas (pra mim também não, óbvio!), mas a questão é: eu ajeito as minhas memórias como eu quero, registro lembranças e torno públicas da maneira como eu gostaria que elas ficassem na memória de outras pessoas. Eu acho memórias de hospital coisas ruins, mas eu transformo (ou tento, né) em coisas não tão ruins, digamos que sejam despojos de guerra. Os outros é que julguem da maneira como quiserem.
(Ultimamente o que parece que eu tento mostrar pras pessoas é que hospital pra mim é fichinha, difícil mesmo é a vida acadêmica, mas... né?)
Convenhamos que a maneira como as pessoas querem ser lembradas hoje em dia é um pouco bizarra e o mais bizarro é a incrível habilidade de sair julgando e falando sobre a vida pública dos outros, como se não tivessem teto de vidro. Eu nem lembro mais porque eu comecei a falar disso (olha, que incrível!), mas lembrei de um monte de outras coisas e também lembrei de olhar no relógio e lembrei que eu preciso dormir, porque amanhã cedo eu vou pro hospital de novo, pra ficar com a minha mãe e pra lembrá-la que dor é passageira, como tudo na vida. menos o amor, principalmente o de filha. e desse eu não esqueço. :)


domingo, 13 de janeiro de 2013

boletim médico


Material: SANGUE
* HORMONIO ESTIMULADOR DA TIREOIDE (TSH) *
Metodo: quimioluminescencia 3a. geracao
* DOSAGEM DO TSH.......: 5,87

Valor de referência: 
> 18 anos..: 0,55 a 4,78 uUI/m


Dá pra imaginar meu estado de espírito (e de corpo também), né?
Se não consegue imaginar, então leia e saberá: sintomas do hipotireoidismo ou entrevista com Dr. Marcello Bronstein (sim, é o endócrino famoso que me colocou no HC em SP)

domingo, 30 de setembro de 2012

You better run, better run faster than my bullet (ou, hard e com emoção)

Mais de um mês desde a última postagem, voltei com boas notícias! 
(Não, não estou muito mais calma e organizada e ponderada e nada desse tipo de "ada". Eu disse que eram boas notícias e não notícias impossíveis.)
Então... ontem foi meu aniversário, agora tenho 23 anos. (essa é uma "boa" notícia, mas não é o que eu ia dizer) Bom, eu deveria começar pelo começo, mas estou meio anacrônica. Hoje eu estava pensando no meu "currículo". 23 anos, formada em Letras, mestranda em Educação, um tumor e 3 cirurgias no cérebro, 1 cirurgia pra retirada das adrenais, 1 cirurgia de adenoide, nenhum osso quebrado, cabelos loiros, cabelos ruivos, cabelos pretos, cabelos loiros de novo, 1 piercing (que "sumiu"), 2 tatuagens, um afilhado, um show de um dos Beatles, um show de um Nirvana, vários shows do meu irmão, algumas aulas (ministradas por mim), alguns concursos, algumas lágrimas, alguns sorrisos, alguns desejos... 
O mais louco disso tudo é pensar que o que eu tinha planejado pra quando eu tivesse 23 anos eu tenho. Pensava em estar formada, morando sozinha, fazendo mestrado e com saúde. E, adivinhem só (sim, a notícia boa!!!) eu estou com saúde! Na verdade eu já estava, mas a questão é: NÃO, EU NÃO TENHO MAIS CUSHING! Meus exames estão oficialmente livres do cortisol extra! Aliás, meus últimos exames indicavam um índice abaixo da quantidade possível para análise. Isso poderia ser perigoso, se eu tivesse sintomas de outra síndrome, se eu estivesse caindo pelos cantos, sem conseguir praticamente me manter em pé. Mas não, eu sou a incrível Rafaella, com dois L. O quase nada de cortisol que estou tomando em comprimido são mais do que suficientes pra me manterem em pé, e não me fazem ter nenhum sintoma de fraqueza significativo. Aí que novamente eu entro naquelas loucuras de que eu devo ter super-poderes. 
Enfim, o que me peguei pensando hoje no meu momento filosófico enquanto lavava louça é que lógico que eu não planejava ter Cushing no meio do caminho, mas eu tive, só que planejei estar bem e estar onde estou agora. Não importa o que passei, o resultado alcançado foi o que planejei. (rimou, ui) Claro que tenho muitos outros planos ainda, mas eu me imaginava mais ou menos como eu estou (só que mais magra! óbvio.) 
É esquisito dizer "não tenho mais cushing". Digamos que eu nunca tive, de verdade. Nunca senti que eu tivesse que me privar de alguma coisa em decorrência da doença, do tumor e de todas essas coisas que parecem aterrorizantes. Parece que eu só falo disso, mas é esquisito falar de alguma coisa que, como agora eu não tenho mais, eu poderia simplesmente apagar do meu passado, dizer que nunca aconteceu. Mas acho que relembrar isso me faz uma espécie de veterana de guerra, faz de mim mais forte (apesar de eu mesma me achar uma fracote), parece até que foi tudo invenção da minha cabeça pra colocar um pouco mais de emoção na minha vida. Imagina que monótono seria se eu só tivesse feito uma graduação normal, sem ter que ficar internada no meio do caminho, se eu fosse calminha e meiga e não tivesse terminado namoros, se eu fosse uma filha e irmã exemplar que não discutisse e não brigasse e não desse xiliques, se eu tivesse ganhado bolsa no mestrado sem ter problema de ter acabado de fazer (mais uma) cirurgia no cérebro e quase não conseguir assinar os papeis... Imaginem que chato seria se eu não tivesse o prazer de começar a tomar bebida alcoólica, depois de achar que eu seria proibida pro resto da vida (sendo que antes eu nem bebia e não fazia diferença nenhuma). Imaginem que chato seria se eu continuasse magrinha como eu era e não tivesse nenhuma "estria de cushing"... 
Essas marcas são minhas cicatrizes de guerra, minhas provas, meus lugares de memória. Numas aulas do mestrado, há uns dias,  estávamos discutindo sobre memória coletiva, memória individual, memória-história e essas coisas... Os textos da disciplina fala(va)m sobre importância de histórias de vida (dentre outras coisas e uma discussão muito mais abrangente que isso, mas não vem ao caso), e eu me perguntei: será que a minha história vai ter importância pra alguém, além de mim (e minha mãe, meu pai, minha família e tals)? Que tipo de importância? O que é importante? O que deve ser contado?
Eu leio tanto Alice que já cheguei até a pensar que essas "pedras no caminho" podem ser tudo fruto de sonhos. O passado passou. Será que passou mesmo? Como eu acredito no passado? A gente vê o passado através do presente e mesmo assim é uma coisa muito rápida. Por exemplo, comecei a escrever esse post há umas duas horas... Fico escrevendo, apagando, pensando, selecionando palavras, lembrando... e o passado só se "concretiza" quando eu digito a palavra pra eternizar a fração do passado que eu quero tornar público. Nesse exato momento, estou escutando a música "Pumped up kicks", da banda "Foster the people". Eu queria tornar pública agora a sensação de satisfação que eu tô sentindo e a lembrança boa que essa música me traz, mas é impossível. Não tenho como colocar em palavras o que eu sinto numa fração de segundos e nem sei explicar. Essa música me lembra a primeira viagem que fiz junto com meu irmão, pra SP, que não foi pra eu ir pro hospital, foi pra eu ir a um festival de música, pra não me preocupar com cushing. A sensação de quando eu estava lá foi tão satisfatória quanto a satisfação de saber que passei por um monte de coisas ruins, mas superei e tô aqui escrevendo. 
É inexplicável a nossa necessidade de querer se explicar. Escrever me dá essa possibilidade e ao mesmo tempo me tira essa possibilidade. Quando a gente escreve, a gente seleciona palavras e momentos pra serem registrados, mas essas escolhas nem sempre são as que exprimem o que nós queríamos, de fato. 
Agora eu nem sei o que eu queria exprimir, pode ser que eu esteja só divagando, mas é porque estou bem. 
Quando eu tinha muito "fato" pra contar - na minha fase cushingniana - é porque eu estava vivendo "altas aventuras", mas agora que venci o cushing, dei um UP na minha vida e possivelmente eu não precise mais citar essa doença. Posso deixar o passado passar e viver o presente pensando em outros planos, sempre mantendo a saúde nos meus pontos de chegada. Eu não excluo do caminho as intempéries, porque eu escolhi viver a vida no modo "hard e com emoção". 
Desculpem-me os que vivem comigo e não escolheram essa opção, se quiserem me acompanhar vão ter que correr! (prometo que ajudo!)
Sempre que lembro dessa "minha escolha", falo pra mim mesma: sobreviver é fácil, quero ver ser eu! E aí, em seguida, meu subconsciente responde: Challenge accepted! 


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

chorar é bom

Tem gente que chora de tristeza, tem gente que chora de felicidade, tem gente que chora por desespero, tem gente que chora de raiva, tem gente que chora de decepção, tem gente que chora de medo, tem gente que chora pelos outros, tem gente que chora por si mesmo, tem gente que chora com filme triste, ou com filme bonitinho, ou com filme de terror, tem gente que chora por nada... eu faço tudo isso e não tenho vergonha de admitir.
Chorar é uma catarse, purifica a gente, purifica a mente. Não traz solução, traz soluços, mas mesmo que não seja resposta pra nada, ajuda a aceitar as coisas, ou pelo menos a botar pra fora, vomitar o que o coração não aguenta... Sim, eu chorei quando vi o resultado do meu exame e meu cortisol continuava alto, chorei porque é difícil aceitar que você passou por 3 cirurgias, ficou internada em hospitais diferentes, longe da sua casa, tentou várias dosagens de remédios, foi em vários médicos, já leu sobre todas as possibilidades... É difícil aceitar que já são 4 anos com uma doença que parece não ter fim, saber que você contraria todas as estatísticas e todo aquele bla bla bla...
Aí me dizem e eu fico pensando com dor na consciência "mas tem gente que tá pior que eu"... Existir pessoas com problemas piores que o meu não diminui o meu sofrimento, nem apaga os meus problemas. Mas chorar pensando nisso elucida, limpa os pensamentos, ou só deixa eles molhados...
Aí me disseram: "Rafa, mas pensa que tu és muito interessante, eu gostaria de te estudar!" Claro né, uma aberração linda e de olhos azuis até eu ia querer estudar! Pena que sou eu mesma! 2 anos "estudando" a doença já tá bom,  não quero me graduar, um tecnólogo em cushing já tá bom, agora chega.
Claro que me desesperei em ver que meu cortisol ainda estava alto, chorei, liguei pra minha mãe, meu irmão ouviu e praticamente me intimou a ir pra casa (achei cute, mesmo que quando eu chegue lá ele me me chame de chata o tempo todo) mandei e-mail e mensagem pra médica (as 23h!).
Ela me ligou no outro dia e me disse muito "reconfortantemente": "Fala, sua desesperada! Não se assusta assim, vamos trocar o remédio, tu pega a requisição de exame aqui e faz outro exame depois que tomar o outro remédio, eu vi teu anatomopatológico (vulgo: resultado da cirurgia) e tu não tens mais as adrenais é impossível tu produzires cortisol."
Não sei se isso me deixou mais calma ou só conformada com a minha situação de aberração. Mas em todo caso, eu recebi o telefonema quando estava no shopping center com a minha mãe, então eu já estava mais calma. Mesmo uma aberração, se está fazendo compras com a mãe, consegue ser calma. (fica a dica!)
Agora eu tô melhor, já chorei, já ri, já saí, já troquei o remédio... só não fiz um novo exame (é o que me amedronta, mas ok)

Essa semana não tô muito "auto-ajuda", mas até que tô com uns pensamentos "auto-ajudantes", só não tô muito apta pra expô-los, porque esses pensamentos são rápidos e eles correm de mim quando eu consigo chegar perto de alguma coisa pra registrá-los.
Acho que meu projeto "verão 2013 com medidas perfeitas magicamente" vai ter que ser alterado pra "verão 2014 com muito suor e malhação". Fazer o que, né? Eu sempre falava pra minha mãe na minha adolescência (cof cof, me sentindo idosa) "eu queria tanto ser diferente!"
Agora toma na cara, Rafaella.
Sou diferente de todas as estatísticas de "praticamente 100% dos casos de cura após adrenalectomia". Eu sou o "praticamente"! Não era isso que eu pedia (eu acho)... acho que isso serve pra eu aprender a pedir melhor, ser mais específica. Deixar de ser preguiçosa na escolha das palavras, a gente tem que falar tudo que precisa, nem mais, nem menos.
Mas contrariando o que eu acabei de afirmar, vou parar de "falar", porque mesmo que eu precise falar outras coisas, não acho que agora seja o momento (até porque eu tô atrasada pra outras coisas, enfim...)
Não que escrever no blog seja uma coisa muito necessária, né? Mas é tipo chorar... escrever faz a gente se organizar e tentar colocar as ideias no lugar.
Chorar é bom. Escrever é bom. (sem analisar sintaticamente, por favor, obrigada)


sexta-feira, 20 de julho de 2012

agora é oficial: vou mudar! (ou, mudei?)

Essa história de "vou mudar" parece coisa de promessa de fim de ano (que a gente nunca cumpre), mas não é.
Até porque estamos no meio do ano e aí teria que ser "promessa de meio de ano" e isso não encaixa. Aliás, "em caixa" é o que resume bem essa "história de mudança".... Sim! É isso mesmo! Estou de mudança. Tá, eu já falei isso. Sim, eu tô um pouco nervosa, e é por isso que estou "gaguejando".
É difícil mudar, sabia?
Depois de passar por (mais) uma cirurgia contra o cushing, depois de quase um mês eu já esperava estar uma garota calma e serena... Quem esperava (assim como eu, por um milagre) uma pessoa meiga e djugo djugo, esqueça. Não tô falando pra decepcionar ninguém e nem pra fazer draminha, mas é que eu não vi/senti nenhuma mudança de humor (pra melhor) depois da cirurgia e é melhor não iludir ninguém, né?
No pós-operatório eu saí do hospital ainda com o dobro da dose de cortisol que estou tomando agora, (eu estava com 15mg - dois comprimidos pela manhã e um à noite - e agora estou com 7mg - um comprimido pela manhã e meio comprimido à noite) eu imaginava que ainda estava inchada e "irritada" por isso... mas sejamos realistas, quem consegue imaginar Rafaella Machado, na atual conjuntura, uma pessoa sossegada e em paz com o mundo? Eu não consigo... mas assim... eu tô tentando, juro.
Quem lê deve pensar "tá, então para de tomar esse veneno de uma vez!". Não, galerinha querida, eu não posso "Não ter cortisol", ninguém pode! Já me disseram que se eu ficar 3 dias sem tomar o remédio é caixão! ui, deuzolivre.
Ando meio deprê, não tô engraçada, não tô produtiva e nem tenho tragicomédias pra contar. Li em algum lugar que "insuficiência adrenal" pode causar "astenia", que seria "uma sensação generalizada de debilidade e falta de vitalidade, que se sente tanto a nível físico como intelectual, e que afecta a capacidade de trabalhar ou realizar tarefas simples. Não melhora com o descanso. (...) Estado geral alterado, fadiga muscular, problemas de concentração e de sono (...)." Dentre outras coisinhas mais... mas acho que eu não tenho isso, meu problema deve ser uma grande preguiça sem cura, que não me deixa fazer nada produtivo. Inclusive escrever. Aliás, este post eu comecei no dia 06 de julho e olha só, hoje é dia 19.
No dia do começo do post eu estava arrumando a mudança, agora já mudei (de casa). Minha intenção inicial era escrever alguma coisa meio ambígua e tal, querendo "anunciar minha mudança", como se fosse uma mudança dupla, de moradia e de comportamento...
Digamos que até que posso continuar dizendo que aconteceu "alguma coisa dupla". Eu ainda não sinto que mudei de casa e também não sinto que mudei de comportamento (continuo reclamona e todas aquelas coisas que todo mundo sabe).
Tô a cada dia mais manteiga derretida, mas acho que isso não é uma mudança, é só tipo um "level" a mais de choradeira.
Não sei mais o que eu já falei ou o que eu queria falar aqui, ando tão distraída que na verdade nem tenho muita vontade de falar alguma coisa... mas aí fico assim, falando e falando e falando e nada tem muito sentido ou parece ser conveniente... é... e como é de graça aí eu continuo...

Pra deixar as coisas mais claras... não, eu não fiz mais uma cirurgia em vão, porque, segundo minha médica: "Tens que pensar que esta cirurgia tem 100% de acerto". Essa foi a resposta que ela me deu a um email em que eu descrevia minha revolta por não sentir mudanças... A questão é que me fizeram propaganda enganosa dessa cirurgia. Me disseram que eu sairia de lá passando mal, com náuseas, tontura, perda (quase total) de apetite e mais um monte de coisas de doente. Eu saí muito bem do hospital, apesar da minha falta de vontade de fazer qualquer coisa, não passei mal nenhuma vez... aí eu penso "será que eu sou uma aberração e meu organismo reage de maneira diferente e jamais vista pelos médicos? será que eu sou assim tão forte que não preciso da dose recomendada a maioria dos portadores de insuficiência adrenal? será que eu sou a versão feminina do Hulk?"
A parte da versão feminina do Hulk explicaria bastante coisa (exceto o detalhe que eu nunca fiquei verde, mas roxa já fiquei e MUITO e com bastante facilidade!)

Relendo o parágrafo inicial, que eu não escrevi hoje, não ficou muito claro porque eu falei em mudança (de moradia) e que é difícil... Geralmente se a gente se muda pra uma casa melhor e tal nem é tão difícil, a questão é que eu me mudei sozinha, eu saí da casa dos meus pais, vim morar perto da universidade.
E aí me perguntam "mas por que, diabos, tu se mudou?" "se tu mora na mesma cidade, se tu tens tudo em casa, se tu se dá super bem com teus pais e irmãos, se tu tem tudo que tu queres em casa, se tu não precisas se mudar, se tu tens tudo, se tu não precisas, se tu tens tudo, se tu não precisas, se tu tens tudo (...)"
Não, eu não repeti porque eu fiquei completamente maluca (será?) é porque é isso que reverbera na minha cabeça... Foi difícil vir pra cá, mesmo sabendo que é só pegar um ônibus e já tô em casa de novo, quer dizer, na casa dos meus pais... uma vizinha minha (não de agora, de antes) me viu chorando e perguntou se eu ia pra Bahia ou pra outro país...
Quando eu era mais nova, antes de todas essas aventuras cushingnianas, eu "sonhava" em morar sozinha, perto da faculdade e tal... agora eu já nem sonhava mais. Mas sempre quis ser "independente". Eu não me mudava porque não tinha condições financeiras pra me manter sozinha. Agora eu "tenho", aí sabem o que eu descobri?
Descobri que dependência emocional é muito mais pior de horrível de sofrimento que dependência financeira.
A gente vive pensando em objetivos de vida. Eu, enquanto fazia trocentas cirurgias, vivia pensando que queria me livrar do cushing, em tese eu já me livrei, mas ainda não tô satisfeita, porque ele deixou vestígios que não me deixam esquecer que esteve em mim. Agora eu tenho outros objetivos, que é me livrar desses vestígios, enquanto isso continuo insatisfeita. Mas eu me pergunto, quando eu estive satisfeita? Acho que a gente não deve estar satisfeito nunca com o que temos, senão a gente nem tenta mudar. Mudar é bom, é o que faz a nossa vida ter objetivos é o que faz a gente querer viver. Eu digo que não vejo mudança em certas coisas, mas na verdade é porque eu ainda preciso de mudanças, porque eu ainda preciso ver muita coisa nessa vida...
Acho que a única coisa que a gente DEVE estar e ser satisfeito é com as pessoas que estão do nosso lado enquanto vamos atrás dos nossos objetivos. E isso eu não estou satisfeita.
Eu SOU satisfeita. Porque "ser" é muito mais forte que "estar". E não digo que as pessoas "estão ao meu lado", porque as pessoas que me fazem bem, que fazem parte de mim, elas me fazem "ser". Eu sou o que eu sou pelas pessoas que fazem parte da minha vida. E sempre vão fazer.

A gente sempre dá sentido às coisas conforme o momento que estamos passando. Não costumo postar imagens aqui, mas me mandaram essa e eu achei que se encaixava com essa história...


... meio deprê e monótono esse post, mas eu tô "em fase de Mudança", desejem-me sorte.

p.s. acho que eu escrevo "e tal" demais, mas enfim...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

sexta-feira, 27 de abril de 2012

sou manezinha e com muito orgulho, ixtePaul!

Quando acordei no dia 25 de abril - que não era de 1985, mas sim - de 2012, eu me preparava para um inesquecível day in the life!
Pela manhã - chovendo bastante - I've gotta a feeling que o trânsito estaria caótico. Ficava olhando pela janela e pensando "alguém can drive my car, eu chegaria mais rápido", mas não, fui de ônibus para a faculdade, como todos os outros dias.
No caminho, a fila era a habitual, fiquei pensando nos afazeres da universidade, nas crises da pós-graduação e até em ser uma Paperback writer...
Finalmente cheguei na UFSC, na reunião com a orientadora do mestrado e I saw her standing there, esperando pra começar a me passar "tarefas de organização pós-evento de literatura".
Esse evento foi um seminário de literatura infantil e juvenil, que foi divulgado inicialmente pela internet (por mim!) e teve uma repercussão tão grande que tivemos que encerrar as inscrições antes do prazo previsto, pois a procura foi maior que a esperada. Tinham inscrições de todos os lugares do Brasil (e em princípio eu imaginava que seriam só os próprios alunos da UFSC!). A responsabilidade crescia, porque, querendo ou não, quando algo tem visibilidade um pouco maior, a gente sente que tem que superar expectativas e não apenas "satisfazer".
Passado o evento deu tudo certo, mas ainda temos muito o que fazer e sabemos que precisamos de muita coisa pra melhorar, mesmo com os infinitos elogios. Ainda discuti com minhas colegas sobre as coisas que os participantes do evento criticam e não sabem a trabalheira que é "estar por trás das cortinas". Temos que pensar em tudo que pode acontecer e, principalmente, no que não pode acontecer de jeito nenhum!
Acabou a reunião, fui pra casa... Chegando em casa eu já podia parar de pensar em dissertação e certificados do seminário e podia começar a pensar em me preparar pra Magical Mystery Tour! Sim! Pra quem ainda não entendeu, pela primeira vez na história um beatle tocaria (e tocou!) em Florianópolis!
E será que não poderia ser mais especial do que o Sir Paul McCartney!?
Não encontrei explicações pra esse fenômeno, uma espécie de adoração momentânea compartilhada por um número interminável de pessoas (como se eu tivesse encontrado explicação pra algum fenômeno! mas enfim... what's the use of anything?).
Lembro de eu sempre falar "ah, eu não sou fanática por nada, acho que nunca ficaria esperando nessas filas desde cedo pra comprar um ingresso, ou coisas relacionadas", mas a primeira vez que ouvi rumores que o ex-beatle vinha pra minha cidade eu pensei "isso é histórico, eu não posso perder!" E ainda tem um detalhe muito "djugo djugo", uma música dele faz parte da minha história. Meus pais casaram com words of wisdom sendo pronunciadas até o momento do 'SIM' definitivo. Anos mais tarde, no Birthay de meu irmão, eu e o Junior (que não tem uma fazenda) escrevemos esse refrão em nossa pele - ambos fizemos a mesma tatuagem, em homenagem aos nossos pais e à clássica canção beatleniana, escrita por Paul.
Essa admiração por um ícone é cultural. Os Beatles fazem parte da nossa cultura. Quando pensei em Paul, pensei "vou deixar passar a oportunidade de contar pros meus netos que fui num show de uma lenda viva (lenda viva Here today, né) da década de 1960?"
Vou poder passar minha experiência vivida pros meus netos e eles vão adquirir a experiência narrada, isso é lindo (ou, isso é teoria literária!), seria como se o tiozinho do submarino tivesse contando suas histórias e sentíssemos como se we all live in a yellow submarine.
Há quem diga que a antiga geração era melhor, há quem defenda que as coisas novas são melhores, eu digo que não existiríamos se não fosse o passado. Não somos quem somos se outras pessoas não tivessem nos ensinado o que sabemos (tanto para reproduzir ou para transformar). Paul foi um dos pioneiros na sua época, faz parte da história, é um clássico, atravessa os tempos e ninguém consegue Carry that weight como ele. Por isso, independente de gostar da música ou não, as pessoas tem que saber quem ele foi, isso é história. Se, por exemplo, alguém fosse fazer um carro e não soubesse que já inventaram a roda, essa pessoa perderia um tempão com isso e perderia a oportunidade de fazer uma nova descoberta, algo que aprimorasse a "antiga roda"... Com os Beatles (e com qualquer coisa na história humana) é mais ou menos por aí. Ver (e ouvir, principalmente!) um beatle é uma experiência emocionante pra quem vivencia, porque o ser humano quer "fazer parte da história".
Clássico é clássico. E isso não é tautológico, esses devaneios não são só Ob-la-di ob-la-da, Ítalo Calvino me entenderia...
Enfim, agora chega a parte de falar sobre the Night before (no caso, a noite do show!)
O "Portal" que nos levaria (eu, amigos e meu irmão) até nossos Golden slumbers, ironicamente ou não, era o vão entre a porta do banheiro feminino e o banheiro masculino do terminal central de ônibus. Começava nossa jornada com alguns "sinais"... Entramos em nosso meio de locomoção, todos em pé, na expectativa, e em cada parada, tentávamos descobrir se as placas de "Estasionamento" eram do pessoal "credenciado" da organização do show. Maybe I'm amazed, achei que o trânsito estava fluindo muito bem, a pista só para ônibus funcionou maravilhosamente.
Chegamos em nosso destino, estádio da Ressacada (que é só apelido, mas eu não sei o nome original, porque... porque eu não sei.), mais uma (?) fila (se é que poderíamos chamar aquilo de UMA fila). Mal sabíamos que aquela seria só uma prévia do que estava por vir. Sentamos no chão, tempo bom, tinha parado de chover, mas olhamos pro céu e um BlackBird voava (para alguma direção que eu não sei qual era) e meu irmão, manezinho que é, concluiu que ventaria bastante mais tarde. Abrem-se os portões, chegou a hora de entrarmos, aquela fila toda sentada se levanta, aquela lerdesa toda. Todo mundo preocupado com os pacotes de bolacha e com as garrafas de água que tínhamos na bolsa, que seriam jogados fora na hora da revista, esperamos chegar nos portões e... TCHANAN! Não houve revista! Não pediram documento, nem passaram detector de metais e nós simplesmente entramos! (pensando: e aquela "rigorosidade" toda que afirmaram que aconteceria e por isso meio mundo não pôde comprar meia-entrada e talvez por isso - e por mais um monte de coisas - não esgotaram os ingressos?)
Passada a aventura para entrar, só mais algumas horinhas de espera pro início do show... então, em sua pontualidade britânica, às 21h30: "Oi, manezinhox". E assim se iniciava a histeria coletiva!
Cada música acompanhada por muitos gritos e muitas lágrimas, até quem jurava de pés juntos que nunca choraria em shows musicais foi tomado por something sem explicação e deixou a emoção comandar! Ouvir "na na na, hey Jude" em coro arrepiou a multidão! Paul "se enturmando" e incentivando os manezinhos a cantarem junto, com seu vocativo "Ixtepôu", arrombou!
Toda vez que penso que essa multidão que estava lá com um único propósito, se se juntasse SEMPRE em coro pra falar coisas boas seria tudo tão lindo! Continuo me arrepiando.
Gritei aquecida com os fogos em "Live and let die", gaguejei cantando alucinadamente "léribiiiiii" e me afoguei no choro olhando pro lado vendo meu irmão secando os olhos... naquelas horas todos estavam doloridos, encharcados, mas ninguém pensava nisso porque a energia era tão boa que não tinha porque se deixar abater, era só "Let it be"!
Ainda sou jovem e meu coração um livro aberto, acho que por isso cada momento do show foi significativo e escreveu alguma palavrinha na minha história.
Mas aquela magia toda tinha que ter um The end... e teve.
A fila no final do show era The Long and winding road... após todos aqueles encantamentos do Sir Paul, vinha a realidade da Sra. Fila que enfrentamos para sair do estádio - que eu relacionei o apelido de Ressacada por deixar as pessoas de ressaca, mesmo sem terem consumido bebida alcoólica. - Foi um pesadelo: uma saída, (quase) 30 mil pessoas, muita chuva, crianças, idosos, cansaço, frio e o fim de um momento de encantamento. Entramos na fila sem saber pra onde iríamos, todos deveriam pegar os ônibus que estavam aguardando seus passageiros. A ideia era genial, mas a prática não foi.
O labirinto era feito de cavaletes de metal que davam voltas quilométricas e desnecessárias, a imagem lembrava campos de concentração da segunda guerra, garanto que nesse caso ninguém gostaria de estar Back in the USSR, várias pessoas caminhando sem saber para onde, sofrendo, sem poder fazer nada para mudar. Os ônibus saíam um a um e as pessoas (tanto os fãs quanto os trabalhadores do evento) já estavam exaustas, todos queriam ir embora e ninguém sabia o que estava fazendo, para onde estava indo. Só pensávamos "If we ever get out of here eu quereria uma sopa, um banho quente e minha cama!". Em certo momento dos 130 minutos que eu e meu irmão (só nós 2, pois nos perdemos dos outros em meio àquela confusão) estávamos na fila, de repente abrem-se alguns cavaletes e grupos de pessoas (que entraram na fila depois de nós e de muitos outros) começaram a encher os ônibus, isso transformou a espera em mais revolta e aos nossos olhos mostrava o despreparo dos seguranças que, em tese, estariam ali para organizar e orientar. Depois de ver crianças, mulheres, idosos e homens sendo desrespeitados naquele ambiente, se sentindo humilhados naquela situação, as lágrimas que antes eram de alegria agora escorriam pelos olhos de todos, mas de tristeza, repletas de um sentimento de impotência, do desespero da violação do nosso direito de ir e vir. Quando finalmente visualizamos a Hope of deliverance e então conseguimos entrar no ônibus para sair dali, apesar de tremendo de frio e "acabados", estávamos felizes, estávamos juntos e queríamos que as coisas boas prevalecessem, mas ainda outro episódio nos aguardava. O ônibus que nos levava parava nos pontos de estacionamento (dessa vez tanto faz o s ou c, porque a chuva era tanta que não víamos nada), quando parou no suposto último ponto perguntamos (todos que estavam no ônibus) para o motorista se iria para o centro ou se teríamos que descer ali, a resposta foi "vai pro centro", confiamos, ficamos dentro do carro. Ao invés de seguir em direção ao túnel (rumo ao centro, que seria o caminho correto) o motorista faz o retorno em direção ao estádio! Todos começaram a gritar e o motorista a rir! Perguntamos novamente se ia pro centro e ele, após ter atravessado a via expressa sul, e voltando, nos diz "se vocês querem ir pro centro agora têm que descer aqui e atravessar a rua pra onde vocês tavam e pegar outro ônibus!". Todos desceram e foram se arriscar atravessando a rua com carros que vinham a 100km por hora. Quando atravessamos, informamos uns policiais, que estavam no local, do ocorrido e eles se puseram a rir, da mesma maneira que o motorista. E a decepção de ter presenciado essa atitude só me fez pensar What's the use of worrying? Vale a pena perguntar por que esse motorista fez isso? Não. Então... when I find myself in times of trouble eu só preciso pensar em words of wisdom e "Let it be"!
Cheguei em casa e, no fim das contas, a aventura foi maior que a esperada. Passei por todas as emoções e sentimentos num dia só. Desde alegria, histeria, nostalgia à tristeza, raiva, decepção... mas a parte das coisas ruins eu quero Let me roll it pra bem longe.
Prefiro lembrar apenas dos momentos lindos do show (todos!), e agora até Because the sky is blue, it makes me cry! Mas não são lágrimas de tristeza, são lágrimas de reflexão. Não condeno ninguém da organização do evento e nem as pessoas que queriam "quebrar tudo", não temos como voltar pra Yesterday...
Me entristece todas as vezes que ouvi moradores falando "isso é Floripa, esperava mais?" Eu sempre respondo mentalmente: LÓGICO QUE SIM! E aos que não são daqui e reclamam do lugar e obtém respostas do tipo "get back to where you once belonged" me entristecem mais ainda. Porque na realidade isso não é resposta, é uma defesa, e eu, como manezinha (ou, florianopolitana, como preferirem) penso que não deveríamos nos defender, porque não somos culpados de nada.
O que se pode fazer é Sing the changes e sempre querer melhorar! Resignação não leva a lugar algum.
Eu acho que o desejo do Paul, quando terminou a passagem dele pela América do sul aqui em Florianópolis, era só: Everybody gonna dance tonight, Everybody gonna feel alright!
Mas, if this ever-changing world in which we live in makes you give in and cry... Say live and let die!
E eu ainda digo outra coisa: a gente supera, esquece, seleciona lembranças, então... Let it be, ixtepô!


domingo, 22 de abril de 2012

em busca da pergunta perfeita, ou, "what's the use of anything? Ho, hey ho, ho, hey ho"

Na maioria das vezes se escreve pra responder a uma pergunta, mas e quando não se sabe qual pergunta você quer responder? E quando são tantas perguntas que você não sabe por onde começar? E quando começam a surgir mais perguntas além das milhões que você já tinha? E quando você já nem sabe se a pergunta que você começou a responder é a pergunta que você realmente queria saber?
Não sei se não escrevo porque não tenho respostas ou porque não tenho a pergunta.
Douglas Adams me diria "a resposta é 42". De repente eu tenha que fazer umas viagens pelas galáxias pra encontrar a pergunta perfeita...
É claro que nessa crise da busca pela pergunta perfeita estão incluídas situações distintas da minha vida, distintas mas imbricadas, logicamente. Sim, minha saúde, minha vida social, minha dissertação, etc etc etc...
Por exemplo, a minha pergunta nesse exato momento é "por que diabos eu acordei cedo em pleno domingo e estou na frente do computador?" Esses momentos de 'vontade de escrever' chegam em horas inusitadas. Não sei se eu coloquei isso na cabeça, ou se meu organismo tá meio desregulado mesmo, ou se não tem nada a ver uma coisa com a outra. Às vezes eu fico pensando que tô muito tempo sem fazer nada e meu cérebro tá atrofiando, mas na verdade não tô sem fazer nada coisa nenhuma, é essa "maldição da dissertação" que faz todos os teus pensamentos concluírem que qualquer coisa que você faça, que não seja escrever para o mestrado, não valha nada, ou faça você se sentir culpado por não ser parte da dissertação.
E eu ainda divido essa culpa com o cushing, parece que só posso pensar em: cushing X dissertação.
MAS, me dei o direito esse mês de extravasar. E olha que o mês nem acabou. Me entupi de coisas e até que tá sendo muito bom.
Na verdade, o mês começou com algumas notícias ruins, que uma delas não sei nem se eu tenho 'direito' de falar aqui, porque não diz respeito a mim, mas foi uma das coisas que me impulsionaram a ficar pensando "por que? pra que? que pergunta eu tenho que fazer?"
Eu estou há um tempo sem rotina médica (entende-se como: comparecer ao consultório, porque fazer exame e aumentar dose de remédio e tudo o mais continua), consequência disso entendo como se estivesse tudo bem, afinal, não estou pensando muito nisso, "esqueci". O problema (nem é esse o problema) é que nós não convivemos apenas com nós mesmos. E as pessoas ao nosso redor também ficam doentes e isso nos deixa muito mal, principalmente porque não sabemos o que fazer pra ajudar. Então, nesse meio tempo, alguém muito próximo a mim foi "semi-diagnosticado" com uma doença que não tem cura, mas que um dos principais tratamentos é com corticóide. Imaginem a minha revolta com essa ironia! Se eu pudesse fazer transplante de cortisol seriam dois problemas resolvidos! Mas não. E aí vêm as perguntas "mais uma doença rara? mas por que? como isso surge? o que eu fiz pra ter isso? ..." Eu senti tudo isso quando fui diagnosticada, choramos muito, mas tem alguma coisa que eu não sei explicar que tá me tranquilizando muito e não sei dizer se é porque eu sei que essa pessoa é mais forte que eu, ou se porque eu já tô "vacinada", que tem uma espécie de certeza me circundando dizendo que vai dar tudo certo.
Tô sempre em crise e cheia das perguntas, mas às vezes eu tenho umas certezas inexplicáveis que me assustam.
Um exemplo nada a ver com esse assunto é quando eu soube que teria show do Paul Mccartney aqui em Florianópolis. Me bateu uma nóia de comprar ingresso de qualquer jeito e que eu não poderia perder esse show de jeito nenhum! Quem estava em casa comigo na hora ficou apavorado com a minha reação. Eu sempre disse que eu não era fanática por banda nenhuma e odeio essas historinhas de tiete e blablabla whiskas sachet... MAS, nesse caso tem uma história. Muitos já sabem, mas vou dar uma resumida. No casamento dos meus pais, quando minha mãe entrou na igreja, a música que tocou foi "Let it be", dos Beatles (escrita por Paul! tirando a parte triste, que foi escrita em homenagem pra mãe dele que morreu de câncer, a música é linda). Anos depois, quando eu e meu irmão tínhamos uns 5 e 4 anos, mais ou menos, tínhamos um tecladinho de brinquedo com essa música e éramos viciados, mais alguns anos depois, eu e ele fizemos uma tatuagem com a letra dessa música "Speaking words of wisdom... let it be" (meu presente de aniversário de 20 anos pra ele). Então eu pensei "em Florianópolis? Paul com 70 anos? Não posso perder!"
Várias notícias dizendo que os outros shows os ingressos esgotaram em poucas horas, e que os fãs ficaram na fila desde o dia anterior. Eu não sou dessas, mas uma certeza inexplicável me disse que eu conseguiria o ingresso. Acho que deixei todo mundo mais nervoso que eu. Cheguei no local pra comprar, foi tranquilíssimo, conseguimos (eu e meu irmão) os ingressos e viemos pra casa alegres e saltitantes, tirando a parte do saltitantes e trocando por "mais endividados".
Foi um exemplo meio aleatório, mas já é difícil explicar o meu tema da dissertação, imagina um"sentimento de certeza".
Continuando com a parte das peripécias e extravagâncias... estou há um tempo sem ir na médica porque ela aumentou a dose do remédio (aquele que foi negado pelo posto de saúde) e disse pra eu voltar só depois de um tempo pra vermos o resultado. O aumento da dose foi em consequência de reclamações minhas, de sintomas clínicos. Ultimamente quem anda comigo já sabe que meu lema é "Don't le me down", mas tradução literal mesmo, pra não me deixar cair no chão, porque eu já estou toda roxa de tanto que caio.
Um desses meus encontros com o chão foi em uma batalha com uma cigarra mutante, meu irmão gritou "está no seu ombro!" e eu: "AHN?" puuuuufffttt!
Outro encontro foi na entrada de um festival de música, em São Paulo.
(que, graças ao deus do Rock, não fui pra lá pra ir ao Hospital! Sim, essa foi mais uma de minhas extravagâncias do mês, que por sinal minha mãe estava preocupadíssima, e, confesso, até eu estava, mas aguentei como uma guerreira! cheia de cicatrizes hahahaha)
Descendo uma rampa, guardando coisas na bolsa, puuuffft[2], aí lá vieram bombeiros e me levaram pra enfermaria, chegando lá a enfermeira olha pra minha perna e diz "Meu Deus! Como você caiu? Foi tão feio assim o tombo?" e eu "Ah, não, é só esse ralado no joelho, todos esses outros roxos foram outras quedas." A enfermeira não entendeu nada, mas pelo menos eu fiquei alguns minutinhos no ar condicionado.

Depois da minha volta de SP, voltei para a rotina UFSC, estava (estou, na verdade.) na organização de um Seminário de Literatura Infantil e Juvenil, 3 dias de correria, sem contar com todos os outros anteriores (e, agora, posteriores). Fiquei na secretaria e não vi muita coisa do evento, mas apresentei um trabalho e adivinhem só o título dele! "Em busca da pergunta perfeita: a questão do ensino de literatura". A apresentação foi ótima, deu tudo certo, mas eu voltei com mais perguntas do que eu tinha colocado no trabalho... Ou seja, não tem 'ou seja', porque não concluí nada, só que continuo com essa busca da pergunta, ou da resposta, ou sei lá... Mas há quem diga que "o que não tem solução, solucionado está" ou, "tudo acaba bem, se não está bem, é porque não acabou". Sigo tentando me convencer disso.
Agora um "causo" que preciso compartilhar: - e que se minha orientadora ler (e com certeza ela vai!), provavelmente vai querer me dar um puxão de orelha, ou vai rir (eu chorei primeiro, pra depois rir, mas enfim.) - Naquela angústia de comprar ingressos pro show do Paul, depois que eu consegui, esqueci de tudo, inclusive de uma reunião que eu tinha no dia, me senti a pessoa mais fútil do mundo e queria pular da ponte Hercílio Luz quando lembrei (ou pior, fui lembrada, pela orientadora!), mas jurei pra mim mesma que nunca mais isso aconteceria. E quando cheguei em casa fui olhar a data da próxima reunião e... ERA NO DIA DO SHOW! Imaginem meu desespero! Fiquei me remoendo, com uma enxaqueca infindável, pensando em como eu falaria isso pra minha orientadora, já tinha pensado até em vender meu ingresso e deixar de ser irresponsável e mais um monte de coisas... Fiquei protelando, deixei passar o seminário, que deu tudo certo, fiz minha apresentação, que deu tudo certo... Mas ainda com aquela pergunta na cabeça "Como eu vou contar?". Num belo dia eu (que nunca faço isso) vou olhar o site relacionado a essas reuniões que eu deveria ir, e... TCHANÃN! A reunião tinha sido adiada! Pro dia seguinte! Minha felicidade foi tanta que deu vontade de sair gritando pela ponte Hercílio Luz! Mas e agora, me respondam, o universo conspira ou não em meu favor?!

Não sei a pergunta perfeita ainda, nem sei se vou encontrar, mas por enquanto só me dá vontade de sair cantando:

What's the use of worrying?
What's the use of hurrying?
What's the use of anything?
Ho, hey ho, ho, hey ho
Ho, hey ho, ho, hey ho...